sábado, 8 de novembro de 2014

Por terras de África

Mais uma volta por cá, já algum tempo que aqui não passava.
Agora a aventura é outra, poderei partilhá-la convosco.


Surgiu-me um desafio este ano para vir ajudar uma empresa com alguma dificuldade em facturação, devido à falta de pessoas qualificadas, e assim, aceitei com todo o prazer.
Realmente não foi uma decisão fácil, muito menos quando estamos a aterrar em Luanda, sentimos um calafrio na barriga, e não, não é por causa da pressão exercida pelo avião, mas sim pela imagem que vemos lá em cima.
Um país de contrastes, com um clima tropical de excelência, separa duas classes como se diz, ou oito ou oitenta, não meus amigos, aqui não se descreve assim, ou oito ou oito mil.
E assim, depois de ter os pés no chão, encontrei um país em reconstrução, pois a guerra civil desvanece qualquer nação.
A riqueza que se encontra aqui, só para um limitado número, faz desta terra uma pérola negra, mal explorada e mal organizada, não sei se é defeito ou feitio, mas lá vivem à maneira deles.
Custa ver o contraste, como por exemplo, a construção de um prédio de topo, ao nível de uma cidade europeia e em redor os "mussecos", as casas da pobreza que o infeliz nem a capacidade tem de erguer, ou cruzarmos-nos com um carro só em três rodas a ser ultrapassado por um carro de milhões de dólares.



Mas também vemos outro tipo de imagens, a pobreza é maioritária, mas dentro dela, podemos ver a simplicidade que quem viveu a infância, não nestas dificuldades, mas com algumas.
Aqui ainda se vê as crianças a brincar, a jogar futebol na rua, onde as balizas são duas pedras e as chuteiras são para os futebolistas melhores, os pneus das motorizadas e até dos automóveis, servem de carrinho, tocado por um simples pau, o pião é um luxo e a brincadeira é genuína.
É a vida em Angola, a humildade e a malandragem a viver ao lado uma da outra, difícil de digerir mas é a realidade.
Para um estrangeiro, começa-se a dar valor a certas coisas que não damos em Portugal.
A saudade da família, é a mais destruidora, o ficar longe das pessoas de quem gostamos custa bastante, sentimos um vazio que não passa, e começamos a ver as coisas de outra forma.
Quantas vezes estamos a descascar uma maçã e fica metade agarrada à casca? Pois aqui, temos de aproveitar até a casca, pois o valor da maçã é visto com outros olhos, nem só em termos monetários, mas em aproveitamento.
Costumo dizer, há muito boa gente que devia passar aqui uma semana, daria valor a coisas que para os europeus são insignificantes, pois é meus amigos, nada neste mundo deve passar despercebido, a vida dá voltas e pode mudar. Devemos agradecer todos os dias a vida que temos, pois há sempre pessoas bem piores.
Não digo que não tenhamos objectivos ou sonhos, pois todos nós temos, e ser ambicioso com peso e medida nunca fez mal a ninguém.
Mas devíamos pensar todos os dias e agradecer a Deus a vida pacifica que ele nos proporcionou.



quarta-feira, 3 de julho de 2013

A PAUSA...


Já á algum tempo que não escrevo, visto por um lado, é mau, mas por outro é extremamente positivo, digamos que foi a pausa.

A criação do blogue veio de uma névoa criada em tempos, a qual foi desvanecendo, por isso considero uma vitória a não necessidade de escrever, se bem que nunca fui de grandes palavras, nem grandes escritas. Uma coisa é certa, consigo exprimir os sentimentos através das palavras que escrevo, pois proferindo-as somente, terão um só significado, tirando a hipótese, de neste caso, o leitor interpreta-las à sua maneira. Muitos estarão a pensar, “a mim também me acontece…”, de certo modo é comum e não escrevo nada de novo, mas somente pelo tempo que alguém perde a ler estas palavras, eu sinto-me satisfeito, pois consegui motivar alguém a dedicar um minuto do seu precioso tempo para ler algumas das minhas ideias.

Agradeço calorosamente e tentarei não desistir…

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Os sitios do meu ser



Paisagens finitas, locais pisados, sitios que permanécem no recanto da minha memória , momentos unicos que nos fazem reviver histórias que ali passaram, sangues derramados por entre as gretas das pedras mas ao mesmo tempo deslumbram os olhos e fazem surgir sorrisos que ficaram eternizados.  Eternizados sim, nunca esquecidos, mas sorrisos passados, sombras que ficaram e que tentaram tapar os raios do sol que se avisinhava. Mas nada, nada os pode deter, energia que fez crescer, que ergueu a alma perdida, calor que penetrou no rosto tapado e rejuvenesceu o prazer do um sonho.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

O rumo do meu mundo...

Cada toque, cada sentido, cada carinho, mergulho na beleza da imaginação e flutuo nos teus lençois de cetim.  Por vezes insistente, crias a maravilha do sentimento, o esplendor do conforto e o aconchego do abraço, es o caminho escolhido, que descobri no meio do labirinto. Puxas-te-me o espirito  de dentro do negro buraco onde tentava lutar contra as cebes  mortas pelo rancor. Hoje olho e vejo a tua beleza, única, magnifica, esplendorosa, transmites a segurança e a cumplicidade, a vida e a força. Mudas-te o rumo do meu mundo, arrancas-te com as tuas proprias mãos o lado obscuro do meu coração, transformando um pedaço de rocha num orgão vital para qualquer  ser.  Pulsionaste a minha vontade de lutar e de vencer, algo que tinha desistido, desistido por falta de forças e de objetivos. Mas não, desfibrilhaste a minha vontade e criaste com um simples sorriso a puresa de um sentimento.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

A rosa e o cato...

Há dias em que a lembrança se abate sobre o ténue e frágil coração, momentos que nos entram no espirito e abalam todo um estado de tranquilidade. Mas os pilares são fortes, criados com a espinha dorsal de Zeus e a beleza de Afrodite, torres firmes e estáveis, que colam todo um sentido de vida. Pois ela passa, e não para, pode deixar-nos marcas e cicatrizes, que nos transformam em seres humanos e não em máquinas cíclicas, que só servem para produzir um medíocre estar.
Sei que nem sempre desdobramos os sentidos, mas sabemos distinguir uma rosa de um cato, apesar de serem ambas flores, proporcionam sensações diferentes. Uma oferece um aroma sensível e mágico, a outra oferece uma árdua dor...

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Ser criança por momentos...

Ontem deparei-me com uma imagem que nos tempos que correm, é raro ilustrar-se. Um simples momento entre uma mãe e um filho, uma simples ligação e sintonia. A mãe ensinara ao filho artes que desvaneceram com a evolução dos tempos e das épocas. O menino, pequenino, tremolo, tentava impetuosamente equilibrar-se em cima de um skate. Sua mãe por si só, incentivava a pequena cria com um brilho nos olhos, com uma vontade de lhe dar o conhecimento das aventuras que outrora tenha tido. Esta imagem fez crescer em mim as lembranças de quando passamos pela primeira fase da nossa vida, sentir a força da juventude e o poder dos sonhos. Vi à minha frente o mundo diferente que vivemos, repletos de alegrias e paixões, mas sempre com um sorriso na face. Caiamos, sujávamo-nos, feriamo-nos mas principalmente brincávamos, com artefactos criados por nos próprios, com uma única bola, com um único boneco, no entanto não deixávamos de brincar.
Os tempos não eram fáceis, nem sempre tínhamos o que realmente desejávamos, da primeira aparição da BMX, até à bicicleta de montanha, da transição da TV a preto e branco para a TV a cores, atravessámos fases evolutivas que nos iam marcando aos poucos, e ao mesmo tempo modificava-nos até chegarmos ao que somos hoje.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Para ti…

As imagens refletem-se no meu pensamento como uma tela de um filme, desde que me lembro de ser gente, foi a imagem que tentei sempre seguir. Cada passo teu, tentava emita-lo com um sorriso. Lembras-te dos mortais que davas? E eu pequenito a tentar fazer o mesmo, claro sempre sem sucesso, nunca tive a tua vida, nunca tive a tua força. Ensinaste-me a andar de motorizada, ensinaste-me a pescar, deste-me o conhecimento da tua maior paixão, partilhas-te os teus princípios. Sempre com uma disposição incrível, nunca fugiste ao trabalho, nunca deixas-te nada por dizer. Com temperamento forte, personalidade própria, sempre nos acompanhas-te, mesmo que nem fosse da melhor forma, pelo menos aos nossos olhos, mas era a tua maneira de ser. Simples e humilde, nunca deixas-te que te enxovalhassem, sempre mantiveste a tua postura, e era essa a mensagem que nos passavas. Hoje quando te vejo sorrir, nasce em mim uma alegria que não se explica, vejo que lutas todos os dias e que sobrevives com uma força incrível, vences as limitações e cumpres sempre com o teu dever. Se bem que os tempos mudam, nós crescemos e tornamo-nos adultos, os papéis invertem-se muitas das vezes, mas a educação que nos desde, faz-nos distinguir entre uma gargalhada e o respeito. Podes até nunca ler estas palavras, mas quem o fizer, poderá conhecer um pouco da pessoa que és.
A cima de tudo e todos és meu pai…