Mais uma volta por cá, já algum tempo que aqui não passava.
Agora a aventura é outra, poderei partilhá-la convosco.
Surgiu-me um desafio este ano para vir ajudar uma empresa com alguma dificuldade em facturação, devido à falta de pessoas qualificadas, e assim, aceitei com todo o prazer.
Realmente não foi uma decisão fácil, muito menos quando estamos a aterrar em Luanda, sentimos um calafrio na barriga, e não, não é por causa da pressão exercida pelo avião, mas sim pela imagem que vemos lá em cima.
Um país de contrastes, com um clima tropical de excelência, separa duas classes como se diz, ou oito ou oitenta, não meus amigos, aqui não se descreve assim, ou oito ou oito mil.
E assim, depois de ter os pés no chão, encontrei um país em reconstrução, pois a guerra civil desvanece qualquer nação.
A riqueza que se encontra aqui, só para um limitado número, faz desta terra uma pérola negra, mal explorada e mal organizada, não sei se é defeito ou feitio, mas lá vivem à maneira deles.
Custa ver o contraste, como por exemplo, a construção de um prédio de topo, ao nível de uma cidade europeia e em redor os "mussecos", as casas da pobreza que o infeliz nem a capacidade tem de erguer, ou cruzarmos-nos com um carro só em três rodas a ser ultrapassado por um carro de milhões de dólares.
Mas também vemos outro tipo de imagens, a pobreza é maioritária, mas dentro dela, podemos ver a simplicidade que quem viveu a infância, não nestas dificuldades, mas com algumas.
Aqui ainda se vê as crianças a brincar, a jogar futebol na rua, onde as balizas são duas pedras e as chuteiras são para os futebolistas melhores, os pneus das motorizadas e até dos automóveis, servem de carrinho, tocado por um simples pau, o pião é um luxo e a brincadeira é genuína.
É a vida em Angola, a humildade e a malandragem a viver ao lado uma da outra, difícil de digerir mas é a realidade.
Para um estrangeiro, começa-se a dar valor a certas coisas que não damos em Portugal.
A saudade da família, é a mais destruidora, o ficar longe das pessoas de quem gostamos custa bastante, sentimos um vazio que não passa, e começamos a ver as coisas de outra forma.
Quantas vezes estamos a descascar uma maçã e fica metade agarrada à casca? Pois aqui, temos de aproveitar até a casca, pois o valor da maçã é visto com outros olhos, nem só em termos monetários, mas em aproveitamento.
Costumo dizer, há muito boa gente que devia passar aqui uma semana, daria valor a coisas que para os europeus são insignificantes, pois é meus amigos, nada neste mundo deve passar despercebido, a vida dá voltas e pode mudar. Devemos agradecer todos os dias a vida que temos, pois há sempre pessoas bem piores.
Não digo que não tenhamos objectivos ou sonhos, pois todos nós temos, e ser ambicioso com peso e medida nunca fez mal a ninguém.
Mas devíamos pensar todos os dias e agradecer a Deus a vida pacifica que ele nos proporcionou.


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